sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Ficou olhando a mão que outrora carregava não só uma aliança de compromisso, mas todo o peso e prazer de um relacionamento estável. Acostumara se a ser de alguém. Agora sozinha não sabia, para onde seguir, em que olhar descansar o seu. Mãos que agora se abanavam, tentando tirar de alguma forma, o peso das outras, ainda tão presentes.
Sentia se velha demais para achar um outro amor e nova demais para desistir de tudo.
Na verdade, ela não sabia,  com tudo se acostuma. E sempre é hora de recomeçar e não precisa ser do começo, pode se continuar da onde parou, pode pular uma linha e com travessão começar outro capítulo logo abaixo.
Pois sua vida não sempre fora uma história mesmo? Nas brincadeiras sempre dizia -  um dia eu viro roteiro de cinema. E pensando nisso, sentiu-se por uns instantes aliviada, por estar cumprindo seu papel, e como todos os bons personagens também sofrer por amor. Era uma ilusão que gostava de manter, a vida não precisava ser tão real, tão crua, triste, limitada. Ainda haviam os sonhos, nem pensava na realização deles, mas um sonho sempre seria uma janela, e era de uma janela que ela precisava agora. Pra sair voando e quem sabe, nunca mais voltar...


Renata Munhoz 08/10/2010

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

(...) mas não ficaria triste por isso. O verão haveria de chegar, em algum momento em sua vida.
Nunca mais o frio e a tristeza. Nunca mais aquela vida desgraçada. A paisagem lá fora, vista da janela em movimento muito rápido, formava desenhos disformes, que ela interpretava como sendo um novo caminho. Tentava decifrar os desenhos, achando que agora sim, Deus falava com ela. Através da janela.
Muito tempo depois lembraria dessa cena, com saudade, nunca mais sentira tão grande excitação. Nunca a vida lhe pareceu tão oportuna e promissora. Nunca mais os grandes sonhos, nunca mais a juventude inocente...

Renata Munhoz
07/10/2010
(...) ficou olhando o vento, como quem espera uma resposta. Era assim que vivia. Sempre a esperar uma resposta.  Nunca satisfeita com nada. Nunca completa. Não gostava de pensar sobre a vida, nem refletir sobre seu mundo. E se pensasse melhor e se realmente soubesse o que sentia, saberia que, não havia resposta porque não havia pergunta. Sempre esperava que a vida se resolvesse por si só. Esperava uma oportunidade que viria num dia comum e mudaria todo seu destino. Não sabia ao certo como gostaria de ser se fosse uma outra pessoa, mas estava certa de que não gostava de ser como era. Mas ao contrário de muitos, não se culpava por ser assim. No fundo a culpa era das pessoas, do lugar onde morava, da criação dos pais, das amizades superficiais, das chances que chegaram difíceis e que se foram muito fácil. Era uma vítima da vida, e assim se comportava...

Renata Munhoz 07/10/2010
15:23