Eu já sabiá
E sei assoviar.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Ando com tanto medo. Ando medrosa. Medo das perdas que se anunciam. Tenho sentido as perdas, é uma dor insuportável dentro dessa aparência que suporta tudo.
Ando com tanto medo. Medo de mim. Medo de não conseguir me amar o suficiente para não deixar que o mundo vá me engolindo ao poucos, digerindo cada sonho meu, cada fragmento de tudo o que eu sou.
Ando com tanto medo. Ando com medo de não cativar. Medo de me isolar, nesse grande vácuo de ilusões que não são desse mundo.
Ando com medo de partidas que não se anunciam. Medo de me partir.
Ando com medo dessa dor no peito. Desse peso fatigante. Dos suores, dos arrepios involuntários numa hora qualquer. Ando com medo das previsões em horas erradas. Ando com medo das previsões de tempo, de amor, de vida.
10/11
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
*
A idéia de se tornar uma infeliz lhe veio de repente. Como um soco no estômago curvou-se de pura náusea. Haverá dias melhores na mesma proporção dos dias piores. Isso não é um conforto.
Hoje como se sentia? Se tivesse uma lista de definições, dividida em duas colunas, não saberia em qual delas colocar o dia de hoje. Na verdade a maioria dos dias são assim, exaustivos de nada, de procuras infinitas e desejos recalcados. De paredes manchadas, calçadas moles, pessoas se arrastando sem rostos, drogas em quartos limpos, anunciações inúteis, vento e suor.
10/11/2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Ficou olhando a mão que outrora carregava não só uma aliança de compromisso, mas todo o peso e prazer de um relacionamento estável. Acostumara se a ser de alguém. Agora sozinha não sabia, para onde seguir, em que olhar descansar o seu. Mãos que agora se abanavam, tentando tirar de alguma forma, o peso das outras, ainda tão presentes.
Sentia se velha demais para achar um outro amor e nova demais para desistir de tudo.
Na verdade, ela não sabia, com tudo se acostuma. E sempre é hora de recomeçar e não precisa ser do começo, pode se continuar da onde parou, pode pular uma linha e com travessão começar outro capítulo logo abaixo.
Pois sua vida não sempre fora uma história mesmo? Nas brincadeiras sempre dizia - um dia eu viro roteiro de cinema. E pensando nisso, sentiu-se por uns instantes aliviada, por estar cumprindo seu papel, e como todos os bons personagens também sofrer por amor. Era uma ilusão que gostava de manter, a vida não precisava ser tão real, tão crua, triste, limitada. Ainda haviam os sonhos, nem pensava na realização deles, mas um sonho sempre seria uma janela, e era de uma janela que ela precisava agora. Pra sair voando e quem sabe, nunca mais voltar...
Renata Munhoz 08/10/2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
(...) mas não ficaria triste por isso. O verão haveria de chegar, em algum momento em sua vida.
Nunca mais o frio e a tristeza. Nunca mais aquela vida desgraçada. A paisagem lá fora, vista da janela em movimento muito rápido, formava desenhos disformes, que ela interpretava como sendo um novo caminho. Tentava decifrar os desenhos, achando que agora sim, Deus falava com ela. Através da janela.
Muito tempo depois lembraria dessa cena, com saudade, nunca mais sentira tão grande excitação. Nunca a vida lhe pareceu tão oportuna e promissora. Nunca mais os grandes sonhos, nunca mais a juventude inocente...
Renata Munhoz
07/10/2010
(...) ficou olhando o vento, como quem espera uma resposta. Era assim que vivia. Sempre a esperar uma resposta. Nunca satisfeita com nada. Nunca completa. Não gostava de pensar sobre a vida, nem refletir sobre seu mundo. E se pensasse melhor e se realmente soubesse o que sentia, saberia que, não havia resposta porque não havia pergunta. Sempre esperava que a vida se resolvesse por si só. Esperava uma oportunidade que viria num dia comum e mudaria todo seu destino. Não sabia ao certo como gostaria de ser se fosse uma outra pessoa, mas estava certa de que não gostava de ser como era. Mas ao contrário de muitos, não se culpava por ser assim. No fundo a culpa era das pessoas, do lugar onde morava, da criação dos pais, das amizades superficiais, das chances que chegaram difíceis e que se foram muito fácil. Era uma vítima da vida, e assim se comportava...
Renata Munhoz 07/10/2010
15:23
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