sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Ando com tanto medo. Ando medrosa. Medo das perdas que se anunciam. Tenho sentido as perdas, é uma dor insuportável dentro dessa aparência que suporta tudo.
Ando com tanto medo. Medo de mim. Medo de não conseguir me amar o suficiente para não deixar que o mundo vá me engolindo ao poucos, digerindo cada sonho meu, cada fragmento de tudo o que eu sou.
Ando com tanto medo. Ando com medo de não cativar. Medo de me isolar, nesse grande vácuo de ilusões que não são desse mundo.
Ando com medo de partidas que não se anunciam. Medo de me partir.
Ando com medo dessa dor no peito. Desse peso fatigante. Dos suores, dos arrepios involuntários numa hora qualquer. Ando com medo das previsões em horas erradas. Ando com medo das previsões de tempo, de amor, de vida.
 10/11

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

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A idéia de se tornar uma infeliz lhe veio de repente. Como um soco no estômago curvou-se de pura náusea. Haverá dias melhores na mesma proporção dos dias piores. Isso não é um conforto.
Hoje como se sentia? Se tivesse uma lista de definições, dividida em duas colunas, não saberia em qual delas colocar o dia de hoje. Na verdade a maioria dos dias são assim, exaustivos de nada, de procuras infinitas e desejos recalcados. De paredes manchadas, calçadas moles, pessoas se arrastando sem rostos, drogas em quartos limpos, anunciações inúteis, vento e suor.

10/11/2010